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sexta-feira, 25 de março de 2011

PPC na sombra de Manuela Ferreira Leite

Entre os diversos desafios que Pedro Passos Coelho terá pela frente nos próximos meses, está o de fazer esquecer Manuela Ferreira Leite. Não que a anterior presidente do partido tivesse deixado demasiadas saudades entre os portugueses, mas sim porque grande parte da argumentação que Passos Coelho terá de usar para vencer as próximas eleições com alguma margem face ao PS, terá necessariamente de passar pela argumentação que Manuela Ferreira Leite usou (ainda que pouca eficácia) durante a última campanha.

E que se resumem basicamente a duas:

1ª as políticas escolhidas por José Sócrates para combater a crise são ineficazes (por variadíssimas razões, uma das quais a de se tratarem de medidas avulso que apenas servem para que a dívida pública não aumente muito mais e não para diminuir)

2ª tudo o que é dito e feito por José Sócrates carece do mínimo de credibilidade. E como bem sabemos, a confiança é a base de funcionamento dos mercados; se estes não têm qualquer confiança no que diz Sócrates, é perfeitamente natural que a compensação que exigem pelo risco de assumir dívida portuguesa seja cada vez maior (e não fora o Trichet que imprime dinheiro entre as viagens casa-emprego, isto estaria muito pior; mas esta história do BCE emitir moeda como se não houvesse amanhã, ainda vai dar que falar...)

Num país em que 72% dos portugueses não confia em Sócrates (ver DE de hoje), vejo com alguma renitência que se possa ignorar estes números e apresentar como principal razão para as eleições antecipadas, o facto de o PEC IV não ter sido apresentado ao partidos da oposição antes de o ser a Merkel...

E agora Passos Coelho vem dizer o que já todos sabíamos (e que MFL também tinha dito): não se pode negociar com Sócrates porque não existe o mínimo de garantias de que o que afirma seja verdade!

Que argumentos, para além destes (que são mais do que suficientes), terá o PSD para provocar eleições antecipadas, se até já assume que vai aumentar o IVA, mesmo antes de saber qual o estado real das contas públicas?

Não aliás de ser irónico que fosse a própria Manuela Ferreira Leite a fazer o discurso do PSD na tarde de chumbo do PEC IV.

É por isso que vejo que ainda passará algum tempo até que Passos Coelho se liberte definitivamente da sombra de Manuela Ferreira Leite.

By the way: alguém me comentava saber de fonte segura que Pedro Passos Coelho acreditava que esta crise não tenha sido deliberadamente provocada por José Sócrates. Acredito que não será assim e espero que o actual líder do PSD e todos os que o rodeiam (alguns dos quais, excelente políticos e profissionais) façam uma excelente campanha e tenham aprendido muito com o modo como o PS geriu a comunicação nestes dois últimos dias.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Falta de Pretexto II

Segundo o Público, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, mostrou-se hoje indignado, enquanto cidadão, com a "continuação de uma campanha política que visa o primeiro-ministro de Portugal e o secretário-geral do PS", José Sócrates, a propósito do caso Freeport.
Isto quando os restantes partidos nem comentam o caso e quando a Procuradoria Geral da República veio, ontem mesmo, arredar o Primeiro Ministro de qualquer investigação.
Pelo que os demais cidadãos têm fortes motivos para considerar que só o primeiro-ministro de Portugal e o próprio PS visam a continuação de uma tal campanha política.
Porque, quando se tem em vista eleições antecipadas, o fim justifica todos os meios.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Falta de Pretexto

“PROCURA-SE: PRETEXTO PARA ELEIÇÕES ANTECIPADAS”.
O PS andava desesperado e inclina-se agora para preencher a vaga do Pretexto com o primeiro bom candidato que apareceu: o caso Freeport.
O Pretexto parece ser de narrativa simples: 1) um Primeiro Ministro imaculado (que não virginal) diz-se ofendido na sua honra pela associação a um caso de alegado favorecimento; 2) envolto num clima de suspeição, invoca falta de condições para continuar a chefiar o Governo; 3) demite-se, provocando eleições antecipadas e devolvendo o mandato aos cidadãos; 4) recandidata-se (com ou sem vaga de fundo), fazendo equivaler uma maioria absoluta a um voto de confiança e à reposição da sua honra.
As fragilidades são, porém, tão simples como a narrativa: 1) as eleições resolvem questões políticas mas não judiciais; 2) o acto eleitoral não terá a virtualidade de fazer cessar a investigação policial e o clima de suspeição; 3) enquanto não for dada por concluída tal investigação, a falta de condições do actual Primeiro Ministro permanece inalterada na pretendida veste de candidato a futuro Primeiro Ministro; 4) converter eleições antecipadas em “Tribunais Populares” torna cada vez mais real a irónica necessidade de suspender a democracia por seis meses…
Ou será que a exigida demissão do Dr. Dias Loureiro do Conselho de Estado também previa a hipótese da sua recandidatura?