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quinta-feira, 11 de junho de 2009

A força do exemplo - Educação cívica para agentes da autoridade

Ao ler o discurso do dia de Portugal de António Barreto faço uma proposta ao próximo ministro da administração interna: o de criar cursos de educação cívica para agentes da autoridade!
Partilho com António Barreto da importância do exemplo e sobretudo da importância do mau exemplo, em especial quando ele vem de alguém com autoridade. Passem em frente de qualquer esquadra de polícia no Porto (e seguramente em qualquer outra grande cidade do país) e vejam o número de viaturas mal estacionadas. Reparem nos carros de polícia e vejam quantos agentes usam cinto de segurança. Num julgamento quantos juízes chegam à hora marcada para as testemunhas?
Ainda a propósito conto uma pequena história. Os meus pais vivem numa rua sem saída que termina na igreja da freguesia. É uma rua com muitos peões mas são sobretudo as crianças quem mais desfruta pois sabem que não devia haver circulação na rua. A meio da rua há um café e um destes Sábados vejo um jeep da GNR entrar a grande velocidade com o nobre objectivo de comprar tabaco. Perante o sucedido interpolei o militar que me respondeu: "O senhor não sabe o que é a autoridade!".
Mesmo para muitos dos agentes da autoridade neste país o exercício das suas funções constitui um direito, parecendo não haver deveres! Será que é assim tão absurdo propor cursos de educação cívica para agentes da autoridade?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Maus hábitos

No seu habitual editorial do Expresso, Henrique Monteiro colocou o dedo na ferida. Ainda a propósito do caso Freeport, chamou a atenção para a função do jornalismo numa sociedade livre: o "papel do jornalismo nestas questões é - em duas palavras - ser chato. Não largar o caso, querer tudo esclarecido. Não digo que não haja enviesamentos, manipulações e mentiras, que também as há. Mas limitar-se a culpar o mensageiro ou reduzir tudo a uma conspiração (que não se sabe também se existe), é não entender o direito que a imprensa e a opinião pública têm de controlar os actos do Governo".
Esta era, porém, uma realidade desconhecida do nosso PM e do partido que o sustenta.
O Governo estava habituado a três espécies de jornalismo: o amigalhaço (o do "porreiro, pá"), o adormecido e o silenciado (este, com a complacência da Alta Autoridade para a Comunicação Social). Tudo o resto era marginal.
O Governo começa aos poucos a perceber que a oposição, a crise, as contestações e as greves, provocam leves pruridos, quando comparados com a verdadeira "coceira" desta nova realidade conhecida na generalidade dos países ocidentais por "liberdade de comunicação".
Compreende agora que bem mais desconfortante do que os factos é a divulgação desses mesmos factos.
O Governo tropeçou no quarto poder e não vive bem com isso. Sobretudo porque, desta vez, esse poder não se mostra disponível para ser pressionado, abafado ou silenciado. Ainda que apodado de "campanha negra"...