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terça-feira, 12 de maio de 2009

E o flirt consumou-se...

Eu tinha avisado que este seria um flirt perigoso...

Então não é que os magníficos deputados socialistas decidem aprovar na generalidade a absurda proposta do BE de "combate à corrupção", que vai em sentido contrário a outra aprovada pelo Conselho de Ministros no mesmíssimo dia...

A proposta do BE vai no sentido de criar mecanismos de informação obrigatória e periódica por parte da banca e a aprovada em Conselho de Ministros opta pelo alargamento dos motivos pelos quais o fisco pode aceder às contas bancárias.

Ao contrário do que afirma Paulo Pedroso, as duas propostas dificilmente serão conjugáveis porque seguem lógicas opostas ou, pelo menos, uma elimina a necessidade da outra! (Se o banco me informa das entradas, transferências e saldos, por que razão terei necessidade de lhe ir perguntar pelas entradas, transferências e saldos das contas? óbvio, não é?).

Razão tem o deputado socilista Victor Baptista, afastado da discussão das propostas na especialidade, quando afirma que "a bancada parlamentar socialista anda a reboque do Bloco de Esquerda". (Sim, eles já o reconhecem).

Está bonito este partido socialista, está...cabeças-de-lista às eleições europeias que defendem posições contrárias ao partido, candidatas que afirmam que o dinheiro do governo é dinheiro do PS, perigos de cisões internas que levam a ceder a chantagens de alegres "históricos"(por muito que Lello vocifere), candidatas-fantasma às europeias, suspeitas de corrupção do seu chefe, etc, etc.

Só faltava mesmo a colagem ao Bloco de Esquerda!
Uniões de facto como esta não interessam a ninguém pelo que, pelo menos, é agora mais óbvio qual o verdadeiro voto útil...

domingo, 26 de abril de 2009

BE e PS: o perigo do flirt acabar em união de facto


Há dias decidi ouvir uma entrevista concedida por Francisco Louça à Renascença. Sabia que não seria tarefa fácil; que poderia não aguentar até ao fim; que tal ousadia poder-me-ia sair cara e custar quiçá umas preciosas horas de sono. É que tanta demagogia concentrada em apenas meia hora pode deixar qualquer um fora de combate…
Mas decidi arriscar. E tive como aliada a tecnologia. As duas grandes vantagens dos podcasts são as de que podemos ouvir os programas que quisermos, quando e onde bem entendermos e também a de que não somos obrigados a ouvi-los duma só vez. Por isso, e doseando o esforço, lancei-me à aventura.
Com a sua conhecida pose de guardião da moral e bons costumes da nação, o grande defensor das liberdades, Louçã foi desferindo ataques a tudo e todos:

- “grande parte da burguesia, da elite económica portuguesa habituou-se ao favorecimento público. Belmiro de Azevedo foi o homem do regime durante algum tempo; habituou-se a viver com o favorecimento do palácio.”

- “A EDP e a GALP foram privatizadas ao deus-dará (a minúscula em deus trata-se de uma deferência para com Louçã); deveriam nacionalizadas”.

Pergunto: também acharão o mesmo os actuais accionistas da EDP?...Quem pagaria?

Quem ouvir Louçã falar pela primeira vez e não preste muita atenção ao conteúdo do seu discurso, ficará com certeza convencido de que está perante alguém que pauta a sua actuação pelo rigor, pela perícia técnica e política. Mas como bem sabemos, as aparências iludem e por detrás do defensor da moral pública, está um fervoroso trotkista e inimigo do mercado livre.

Aura que houvesse à sua volta, esta foi desfeita com a última proposta de lei recentemente aprovada pelo BE e PS na Assembleia de República relativa ao sigilo bancário. Com o suposto pretexto de combater a fraude fiscal, a produzirem-se as alterações propostas ao n.2 do art. 63ª da Lei Geral Tributária, o Fisco ficaria com um regime de acesso às informações bancárias muito mais restrito do o actual, em concreto no que diz respeito às empresas. Segundo alguns especialistas como, por exemplo, Marcelo Castro, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, tal norma “é contraditória com o que é dito no seu preâmbulo”; segundo António Carlos Santos, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, “a proposta do novo artigo 63-B nem sequer mantém o acesso directo a documentos bancários de empresas hoje previsto no n.º 2 do 63-B da Lei Geral Tributária (LGT) ou o levantamento do sigilo por crimes praticados relativamente a outros impostos, hoje consagrado no n.1 do mesmo artigo. Tudo isto é feito com enorme falta de rigor.”

Mas mais do que a queda do mito do rigor, da preparação técnica de Francisco Louçã, o que mais nos assusta é a perspectiva cada vez mais real (evidenciada pelo piscar de olhos do PS ao aprovar a proposta do BE) que o actual flirt dê origem a uma união de facto após as legislativas deste ano…