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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pare, escute e olhe

O Carlos discorda do que escrevi acerca de um eventual raciocínio de Cavaco à hora de ponderar a convocação de eleições antecipadas.

Admito que a sua perspectiva seja a mais correcta. Eu próprio prefiro que o Presidente da República cumpra a sua função adoptando uma postura institucionalista. Ao descrever (de um modo exagerado, sem dúvida) qual seria um dos pensamentos que passaria pela cabeça de Cavaco neste momento pretendia chamar a atenção para o facto de que este deve também ser pragmático nas suas decisões. Pois, se se limitar a destituir (não sei é esta a expressão correcta, mas para o caso é indiferente) Sócrates das suas funções, a probabilidade de este se recandidatar e vencer de novo as eleições é bastante elevada.

Ficaríamos assim com um Presidente que é "institucionalista", o país novamente nas mãos de Sócrates e uma reeleição cada vez mais difícil para o Professor Cavaco.
Ou seja, se é verdade que o Presidente da República não se deve deixar guiar por critérios meramente pragmáticos ou eleitorais, também é verdade que não deverá deixar de os integrar nos seus algoritmos de decisão.
E em política saber esperar também é uma virtude; e para Sócrates, quanto mais o tempo passa, mais são os rabos de palha…

Outro aspecto para o qual procurava chamar a atenção - e em relação ao qual admito que a história um dia faça justiça - é que entendo que cada dia que passa, a percepção que os portugueses têm do chuto que Sampaio (com a enorme ajuda da imprensa) deu em Santana, foi um erro crasso e cujas verdadeiras motivações nos suscitam cada vez mais dúvidas.

Onde estão os Jorges Sampaios deste país quando precisamos deles

Perante os constantes escândalos que envolvem o actual primeiro-ministro é legítimo que comparemos a actuação de Cavaco com a do anterior presidente. Por muitíssimo menos, Sampaio convocou eleições antecipadas e entregou o governo do país ao seu partido.

Se Cavaco não faz o mesmo, não é porque Sócrates não o mereça, nem porque não tenhamos já ultrapassado os limites do razoável.
A razão é apenas uma: as sondagens. Se hoje tivéssemos eleições, o PS provavelmente sairia vencedor e Cavaco já atingiu a sua quota-parte de favores (de cooperação estratégica) a José Sócrates. Mas talvez não ganhe daqui a 6/7 meses.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Cosec, a Biometrics e a Plêiade

Estes negócios em que se avalia uma empresa em 700 vezes o seu resultado líquido têm muito que se lhe diga e devem ser feitos com toda a prudência. Só para não se correr o risco de sermos investigados e acusados pelo Ministério Público, tal como outros que avaliam em 120 milhões de euros empresas em falência técnica.

De facto, comissões de 8 milhões em negócios de 55 milhões, nem José Veiga nos seus tempos áureos.

Por coincidência o valor de ambos os negócios (Cosec e Pleiade) até é exactamente o mesmo! Mais uma razão para deixar bem explicadinha toda a lógica do negócio e da respectiva avaliação...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O PSD e o enriquecimento ilícito

Infelizmente, só no passado fim-de-semana, tive oportunidade de ler o Projecto Lei Nº 747/X/4ª apresentado pelo PSD relativo ao "Crime de Enriquecimento Ilícito no Exercício de Funções".

Ao contrário das desgarradas propostas do BE aprovadas pelo PS, este projecto permitiria criminalizar o enriquecimento ilícito de um funcionário do estado ou de titulares de cargos políticos.

Não sou jurista, pelo que não me pronunciarei a fundo sobre este Projecto de Lei. Contudo, o que está claro é que, ao contrário do que nos queriam fazer crer socialistas e bloquistas, "a prova de desproporção manifesta que não resulte de outro meio de aquisição lícito (...) incumbe ao Ministério Público, nos termos termos gerais do art. 283º do Código de Processo Penal". Ou seja, existe um respeito integral pelo princípio constitucional da presunção de inocência.

Por acaso (ou não...) o Projecto foi vetado pelo Partido Socialista.

terça-feira, 12 de maio de 2009

E o flirt consumou-se...

Eu tinha avisado que este seria um flirt perigoso...

Então não é que os magníficos deputados socialistas decidem aprovar na generalidade a absurda proposta do BE de "combate à corrupção", que vai em sentido contrário a outra aprovada pelo Conselho de Ministros no mesmíssimo dia...

A proposta do BE vai no sentido de criar mecanismos de informação obrigatória e periódica por parte da banca e a aprovada em Conselho de Ministros opta pelo alargamento dos motivos pelos quais o fisco pode aceder às contas bancárias.

Ao contrário do que afirma Paulo Pedroso, as duas propostas dificilmente serão conjugáveis porque seguem lógicas opostas ou, pelo menos, uma elimina a necessidade da outra! (Se o banco me informa das entradas, transferências e saldos, por que razão terei necessidade de lhe ir perguntar pelas entradas, transferências e saldos das contas? óbvio, não é?).

Razão tem o deputado socilista Victor Baptista, afastado da discussão das propostas na especialidade, quando afirma que "a bancada parlamentar socialista anda a reboque do Bloco de Esquerda". (Sim, eles já o reconhecem).

Está bonito este partido socialista, está...cabeças-de-lista às eleições europeias que defendem posições contrárias ao partido, candidatas que afirmam que o dinheiro do governo é dinheiro do PS, perigos de cisões internas que levam a ceder a chantagens de alegres "históricos"(por muito que Lello vocifere), candidatas-fantasma às europeias, suspeitas de corrupção do seu chefe, etc, etc.

Só faltava mesmo a colagem ao Bloco de Esquerda!
Uniões de facto como esta não interessam a ninguém pelo que, pelo menos, é agora mais óbvio qual o verdadeiro voto útil...

domingo, 10 de maio de 2009

Alguém se afunda na Cova da Beira

Mais um reportagem a não perder do Inimigo Público número 1 do nosso primeiro-ministro:

http://www.tvi24.iol.pt/artmedia.html?id=1061750&pagina_actual=1&tipo=2

Esta central de compostagem cheira mesmo muito mal. Mais um episódio, da já longa tentativa de assassinato político de José Sócrates.