Mostrar mensagens com a etiqueta legislativas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta legislativas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saneamento de Moura Guedes: ainda alguém se lembra?


Há algumas semanas atrás a administração da PRISA - numa manobra que ficará para a história como a primeira grande empresa de media que resolve subverter a lógica do capitalismo de busca do lucro - decidiu acabar, por "razões económicas", com o telejornal líder de audiências em Portugal.

Perante esta decisão alguns defenderam que o PS seria beneficiado pelo fim das notícias sobre os primos do primeiro-ministro, sobre o facto de a polícia inglesa considerar Sócrates como um dos suspeitos no caso Freeport (sabe-se que houve pagamento de luvas a algumas pessoas) ou ainda sobre o caso Cova da Beira.

Outros houve que tiveram a elasticidade suficiente para considerar que o PS seria o principal prejudicado pelo fim do bloco noticiário de uma jornalista processada pelo primeiro-ministro e cujo trabalho este apelidou de "jornalismo travestido".

Passadas 3 semanas podemos fazer-nos algumas perguntas para tentar perceber de que modo o PS foi ou não beneficiado por esta decisão. Por exemplo:

- ainda alguém fala neste caso na imprensa?

- José Sócrates continua a queixar-se, nos seus comícios, do afastamento de Manuela Moura Guedes?

- as grandes figuras do PS continuam a "exigir" o esclarecimento deste saneamento?

- a ERC já recebeu a resposta da PRISA às questões que lhe colocou?

- qual a percentagem de eleitores que ainda têm presente este episódio?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Política de mentira.

Como todas as mais recentes decisões do Partido Socialista, a de impedir a dupla candidatura às eleições autárquicas e legislativas, soa a falso. Soa a pura manobra política, na pior acepção da expressão. Não admira pois, que o partido se encontre extremamente dividido.

Se repararmos bem, as manobras socialistas nunca têm a sua origem em convicções ou no reconhecimento de erros "substanciais", mas estão sempre relacionadas com a forma, a imagem , o impacto na opinião pública e nas hipotéticas intenções de voto.

Foi assim com a PT. Depois da anedota que Sócrates contou aos portugueses de que não estava informado acerca da operação de aquisição de 30% da Media Capital (e do reconhecimento implícito da preocupação com a linha editorial seguida pela TVI), veio a justificação para a proibição da operação: "o governo não quer que haja a mínima suspeita". Ou seja, o que está em causa não é o interesse público, mas sim a imagem do governo!

O mesmo se passou com Pinho; o que esteve em causa não foi o seu desempenho desastroso à frente do Ministério da Economia (por vezes o ministro dava-se ao trabalho de "safar" (sic) uns quantos empregos), mas sim a sua imagem e a do governo.

Já para não falar do momento de comoção que Sócrates provocou no país com a sua patética entrevista a Ana Lourenço.

E o mesmo acontece agora com esta proibição de duplas candidaturas.

Algumas questões afloram à nossa mente a propósito de mais esta hipocrisia política:

- O que há de substancialmente diferente entre as europeias e legislativas que justifique a diferença de critério? A esta pergunta João Tiago Silveira, entretido a colar etiquetas no símbolo do PSD que tem no seu quarto, não responde.

- Se Ana Gomes e Elisa Ferreira não tivessem já garantido o seu tacho em Bruxelas, a decisão seria a mesma? Como reagiria Ana Gomes? Imagino que do mesmo modo que Leonor Coutinho que sabe agora, a meio do "jogo", que vai ficar sem o lugar no Parlamento e perder a Câmara de Cascais para Capucho...mas claro Leonor Coutinho não tem o mesmo peso de Ana Gomes...(e nem que sequer produz o mesmo sound-bite)

- como pode Elisa Ferreira afirmar que sente o apoio "suficiente" do PS à sua candidatura à Câmara Municipal do Porto? Suficiente? Não será com certeza suficiente para evitar uma derrota histórica do PS no Porto...ou mesmo para não ter de ouvir declarações das do género de Pedro Baptista, dirigente do PS/Porto, que diz que se trata da "vitória dos princípios. Esperemos que no Porto estas directivas sejam cumpridas".

Enfim, uma série de questões às quais o PS, apelará à Blue State Digital para que lhes dê resposta...

domingo, 26 de abril de 2009

BE e PS: o perigo do flirt acabar em união de facto


Há dias decidi ouvir uma entrevista concedida por Francisco Louça à Renascença. Sabia que não seria tarefa fácil; que poderia não aguentar até ao fim; que tal ousadia poder-me-ia sair cara e custar quiçá umas preciosas horas de sono. É que tanta demagogia concentrada em apenas meia hora pode deixar qualquer um fora de combate…
Mas decidi arriscar. E tive como aliada a tecnologia. As duas grandes vantagens dos podcasts são as de que podemos ouvir os programas que quisermos, quando e onde bem entendermos e também a de que não somos obrigados a ouvi-los duma só vez. Por isso, e doseando o esforço, lancei-me à aventura.
Com a sua conhecida pose de guardião da moral e bons costumes da nação, o grande defensor das liberdades, Louçã foi desferindo ataques a tudo e todos:

- “grande parte da burguesia, da elite económica portuguesa habituou-se ao favorecimento público. Belmiro de Azevedo foi o homem do regime durante algum tempo; habituou-se a viver com o favorecimento do palácio.”

- “A EDP e a GALP foram privatizadas ao deus-dará (a minúscula em deus trata-se de uma deferência para com Louçã); deveriam nacionalizadas”.

Pergunto: também acharão o mesmo os actuais accionistas da EDP?...Quem pagaria?

Quem ouvir Louçã falar pela primeira vez e não preste muita atenção ao conteúdo do seu discurso, ficará com certeza convencido de que está perante alguém que pauta a sua actuação pelo rigor, pela perícia técnica e política. Mas como bem sabemos, as aparências iludem e por detrás do defensor da moral pública, está um fervoroso trotkista e inimigo do mercado livre.

Aura que houvesse à sua volta, esta foi desfeita com a última proposta de lei recentemente aprovada pelo BE e PS na Assembleia de República relativa ao sigilo bancário. Com o suposto pretexto de combater a fraude fiscal, a produzirem-se as alterações propostas ao n.2 do art. 63ª da Lei Geral Tributária, o Fisco ficaria com um regime de acesso às informações bancárias muito mais restrito do o actual, em concreto no que diz respeito às empresas. Segundo alguns especialistas como, por exemplo, Marcelo Castro, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, tal norma “é contraditória com o que é dito no seu preâmbulo”; segundo António Carlos Santos, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, “a proposta do novo artigo 63-B nem sequer mantém o acesso directo a documentos bancários de empresas hoje previsto no n.º 2 do 63-B da Lei Geral Tributária (LGT) ou o levantamento do sigilo por crimes praticados relativamente a outros impostos, hoje consagrado no n.1 do mesmo artigo. Tudo isto é feito com enorme falta de rigor.”

Mas mais do que a queda do mito do rigor, da preparação técnica de Francisco Louçã, o que mais nos assusta é a perspectiva cada vez mais real (evidenciada pelo piscar de olhos do PS ao aprovar a proposta do BE) que o actual flirt dê origem a uma união de facto após as legislativas deste ano…