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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ainda a questão das explicações

Caro Nuno,

em relação ao direito com o qual me arrogo para o fazer, eu não lhe chamaria tanto um direito. Chamar-lhe-ia um privilégio que me foi concedido pelo senhor doutor Passos Coelho. De facto, o candidato em causa desde há vários anos a esta parte que nos tem brindado com comentários acerca de tudo o que mexe, razão pela qual lhe pedia que o fizesse também nesta ocasião.

Indo então à questão em si e deixando-nos de supostas legitimidades inquisitórias, vou tentar explicar o paradoxo que identifiquei nas palavras do senhor doutor Passos Coelho.

Vamos por partes:

1. Perguntaram a Passos Coelho o que o distingue de Rangel e Aguiar Branco, ao que ele respondeu "Têm de explicar ao País e ao PSD porque é que o PSD deixou que o País escolhesse o engenheiro Sócrates para continuar primeiro-ministro."

2. Ou seja, Passos Coelho considera ser melhor candidato que Rangel e Aguiar Branco porque estes seriam responsáveis (que não são, mas já estamos habituados a estas falácias por parte do senhor administrador) pela derrota nas legislativas. Ou seja, a qualidade de uma candidatura variará na medida em que os seus protagonistas impedeçam ou não a eleição do seu adversário (neste caso, um mal óbvio para o país).

3. Suponhamos que seria verdade que Rangel e Aguiar Branco seriam responsáveis pela derrota (incluamos também Manuela Ferreira Leite na embalagem). Aplicando-se o critério de Passos Coelho são maus candidatos.

4. Ora bem, sendo Rangel, Aguiar Branco e Ferreira Leite maus candidatos e, aplicando o próprio critério de Passos Coelho, aquele que permitir uma vitória deles, será ainda um pior candidato. Donde…

P.S.- aproveitei para responder ao teu comentário através de um post por 2 razões:
1ª sempre é mais um post a animar o blog :)
2ª considero que a incoerência revelada por Passos Coelho é uma falha importante e quero deixar clara a minha posição em relação a isso.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A comunicação na política segundo Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite

Veja-se a diferença de atitude de Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas à saída da audiência como Presidente da República. E cada um tire as suas conclusões.
Entendo que em política a comunicação é fundamental e que todas as oportunidades que um político tenha para fazer passar a sua mensagem e as suas ideias devem ser aproveitadas. Uma pedagogia contínua. Que nada tem a ver com manipulação ou faltar à verdade. E que é tanto mais necessária, quanto mais os nossos adversários políticos tentam inundar o espaço mediático com a sua própria mensagem, mais ou menos inconsequente e sem dúvida que asfixiante.

O pormenor de voltar atrás quando sabe que entrará em directo na televisão do PS é sintomático!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Joana Amaral Dias e a psicologia da verdade

A entrevista da menina dos olhos de Mário Soares ao Diário de Notícias de ontem é a todos os títulos notável!

Todos ficamos mais descansados ao saber que Joana Amaral Dias tem quase a certeza de quem é o seu pai. Facto verdadeiramente fundamental para os leitores do DN.

Joana A.D., ainda que protagonista de recente arrufo com o Bloco de Esquerda e de uma sintomática aproximação ao socialismo
mainstream, não consegue deixar de manifestar quais as suas origens políticas.

Mas o que mais surpreende nesta conversa é a aversão que JAD tem à utilização da palavra "verdade". Vejamos:

"a verdade pertence aos absolutistas"

"lembra o manifesto nazi, que tinha logo nas suas primeiras linhas referências sobre os mentirosos políticos"

"Quando se fala de verdade em política, é algo que me arrepia e penso que não estarei sozinha nessa reprovação de mensagens críticas"

É no mínimo confrangedor que uma psicóloga, ex-deputada à Assembleia da República profira declarações deste calibre. Nota-se que está a aprender com Soares.

se existe alguém a quem a verdade não pertence é aos absolutistas.

Manuela Ferreira Leite nunca se afirmou detentora da verdade. Apenas defendeu e continua a defender a importância de dizer a verdade na política. Trata-se de um slogan como outro qualquer e reduzir a política de MFL a este slogan é desonesto, principalmente depois da recente apresentação do programa do PSD para os próximos 4 anos, programa este cque contém dezenas de propostas concretas e susceptíveis de serem postas em prática.

JAD só se lembra do manifesto nazi? Não haverá nada que lhe traga à memória o gulag, por exemplo?

Como é possível que Joana Amaral Dias, alguém com ambições políticas bem patentes, venha dizer que a arrepia falar em verdade? O que tem ela contra a verdade? Joana, esteja descansada; depois das afirmações de Francisco Louçã sobre as propostas do PSD para a Segurança Social, está claro que não está sozinha nessa reprovação da mensagem de verdade.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A política do bota-acima

Em entrevista ao i do passado sábado, a Dra. Manuela Ferreira Leite demonstra que sabe estar na oposição com uma atitude construtiva e faz o seguinte elogio ao governo:


“Não condeno tudo, evidentemente. Na vida nunca se condena tudo. Acho que a reforma que foi feita na Segurança Social, por exemplo, poderia ter ido mais longe – como todas as coisas podem ir mais longe – mas não condeno uma reforma que contribuiu para a sustentabilidade da Segurança Social. Embora tenha fortes dúvidas de que a política que está a ser seguida no combate à crise não esteja a deteriorar o equilíbrio da Segurança Social que foi feito à custa de uma reforma que considero correcta.”

Duas coisas ficam provadas:

1ª Ao contrário do que afirma Sócrates, O PSD não tem apenas o discurso do bota-abaixo nem da crítica fácil. Virá agora acusar o PSD do discurso do bota-acima?

2ª Perdoem-me a presunção, mas é caso para dizer que de algum modo existe uma sintonia entre o Grupo da Boavista e o PSD; aconteceu em primeiro lugar com a aprovação da proposta de penalização fiscal agravada. E acontece agora de novo com a reforma da Segurança Social, numa opinião há meses atrás defendida por um dos seus membros.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Elas sabem que nós sabemos que elas sabem

Sim. Manuela Ferreira Leite e Maria José Nogueira Pinto (duas senhoras da época anterior às quotas...) sabem que nós sabemos que elas sabem que a nova lei de financiamento partidário não deveria ter sido aprovada. E que muito menos o deveria ter sido do modo como foi: precipitada, às escondidas e com alterações de última hora que emprestam à nova lei um cheiro a esturro… a aldrabice…enfim, a política portuguesa no seu pior.


O mais escandaloso nem sequer é o facto de esta lei aumentar alargar de 1500 para 3000 Indexante de Apoios Sociais (IAS) os valores que os partidos podem receber em angariações de fundos. A valores de 2008, o limite legal passou de 639 mil euros por ano para o dobro - 1.278.000 euros, valor próximo do que o PCP tinha proposto, 4000 IAS.

Muito haveria a dizer sobre este lei mas o que mais chama a atenção (para além do raro consenso partidário…) é o número 1 do artigo 19º, que prevê que só entram nas contas oficiais das campanhas eleitorais despesas pagas por terceiros desde que tenham sido autorizadas pelas candidaturas. Segundo um especialista ouvido pelo Público, "o problema do pagamento de despesas por terceiros sempre existiu. Mas agora ninguém é responsabilizado porque só são consideradas despesas de campanha as que forem feitas com a anuência, com autorização das candidaturas. Se alguém pagar alguma coisa sem autorização, nem os partidos nem os mandatários podem ser responsabilizados, basta-lhes dizer ‘não dei anuência’".

Sendo assim, e sabendo nós da abundância de dinheiro embrulhado em jornais por esse país fora, a pergunta que se impõe é a seguinte: para quê a obrigatoriedade de apresentar contas das campanhas autárquicas? Para fazer de “contas”?

Segundo Nogueira Pinto e, de acordo com o seu artigo ontem publicado no DN:

“A última coisa que os partidos precisavam era de mais dinheiro para campanhas eleitorais. Um investimento em bons candidatos, um discurso claro, sobriedade e substância, humildade para perceber os problemas dos outros, dos que votam, uma pisca de ambição, uma dimensão qualquer de sonho, tudo isto faria mais sentido para reabilitar os partidos aos olhos dos portugueses.”

Maria José Nogueira Pinto tem toda a razão. Não é este o caminho.

O caminho começou a ser traçado quando Ferreira Leite foi eleita pelos militantes do PSD para líder do seu partido. Caminho esse que continuou a ser traçado através de uma estratégia de ponderação, rigor e alternativa construtiva ao actual governo. E ainda com a escolha de Paulo Rangel para cabeça de lista às Europeias; contra a vontade daqueles que defendiam alternativas como a de Marques Mendes (nome que também me agradaria), sendo eles os mesmos que ainda há meses, sendo ele líder do partido o descartavam, o apelidavam de incapaz e o acusavam de estar ao serviço do “aparelho”.

Felizmente e, em mais uma atitude reveladora de coragem, Manuela Ferreira Leite admite a hipótese de ajustar a lei em questão. Se continuar a seguir o caminho que tem vindo a traçar, poderemos estar seguros de que assim acontecerá.

PS- Cavaco tem aqui mais uma oportunidade para outro veto político; e neste caso nem poderia ser acusado de oposição ao governo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A verdade por vezes é dura... desfaz ilusões.

Manuela Ferreira Leite afirmou numa recente entrevista a propósito das eleições europeias: «Se as perder, perdi-as, não é? Vou fazer por ganhar. Se as perder, perdi. Não tenho que consultar o partido. Não vejo nenhum líder consultar o partido se perder umas eleições. Não creio que o engenheiro Sócrates vá consultar o partido dele ou que o Paulo Portas vá consultar o partido dele. Portanto, essa pergunta ou bem que é generalizada a todos ou não há nenhum motivo para ser dirigida só a mim».

Em primeiro lugar, entendo uma certa frustração de alguns perante esta resposta. Esperariam outra abertura de MFL para uma saída de cena, onde eles próprios preencheriam o papel por ela abandonado.

No nosso país, o falar verdade conta pouco para grande parte dos eleitores. Para além disso, a percentagem dos que percebem se estão a ou a ser enganados é tristemente baixa.

Para além disso, tenho alguma dificuldade em compreender como se pode hesitar na escolha entre alguém com a preparação técnica, experiência governativa, modo de estar na vida política, sentido de estado e ética de Manuela Ferreira Leite, e José Sócrates: o da licenciatura ao Domingo, o do inglês técnico, da correspondência pessoal com cartões do Ministério do Ambiente, dos 150.000 empregos, dos processos aos jornalistas, do desrespeito pela Assembleia da República, dos relatórios da OCDE, do não afinal sim ao casamento homossexuais, da propaganda do Magalhães, de um sistema de informação dos tribunais gerido por um instituto dependente do MAI, etc, etc...

Bem...olhando um pouco à volta, até compreendo...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Anunciadas coligações

Por mais que as aparências façam crer o contrário, as eleições legislativas serão frutuosas em coligações: o Eng. Sócrates concorrerá coligado com o Dr. Manuel Alegre, ao passo que a Dra. Manuela Ferreira Leite irá a votos com o Dr. Passos Coelho.
Porque, sobretudo em tempos de crise, os interesses do País devem suplantar os interesses partidários e estes devem sobrepor-se aos interesses pessoais. Ou, dito de outro modo, os tempos de crise obrigam a engolir alguns sapos…
Ou será que alguém arrisca enfrentar sozinho o temporal?